


O Concelho da Murtosa é banhado por um dos mais belos acidentes hidrográficos que se designa vulgarmente - Ria de Aveiro.
A Ria de Aveiro estende-se
por cerca de 45 Km de comprimento, desde Ovar até Mira.
Nela, desaguam rios
como o Vouga, Águeda e Cértima. Comunica com o mar através
de uma barra artificial aberta em 1808. A abertura da barra permite à
população que vive junto à ria um maior bem estar
económico e social.
A Ria de Aveiro comunica
com o mar através da barra, sendo afectada pelas suas águas
salgadas e pelas águas doces dos rios. Esta situação
vai condicionar a flora e a fauna de toda a região, e transformar
este espaço num habitat muito importante a nível Nacional.
A Ria de Aveiro tem uma
grande diversidade de habitats naturais: "estuários, lagunas, lodaçais
e areias a descoberto na maré baixa, prados salgados atlânticos,
florestas dunares de Pinheiro - bravo (Pinus pinaster) e Pinheiro - manso
(Pinus pinea), turfeiras altas activas, freixiais (de Fraximus angustifolia),
carvalhais (de Quercus fraginea) e muitos outros."
A Ria é considerada uma zona húmida
relevante e protegida por diversos meios legais (Biótopo de Corine,
Zona de Protecção Especial entre outros).
Existem inúmeras
espécies a proteger na Ria de Aveiro, entre as quais a Lontra (Lutra
lutra).
Podemos encontrar espécies
piscícolas: solha, linguado, robalo, taínha e enguia, esta
última com grande relevância na gastronomia deste concelho.
Na flora referimos a importância, para este Concelho, da existência do bunho, na realização das esteiras e do junco, utilizado ainda hoje para fazer a cama do gado e, posteriormente, junto com os excrementos, serve como fertilizante da terra.
Há uma espécie
que trouxe, ao longo de diversos anos, vantagens económicas para
o Concelho da Murtosa - o moliço.
"O moliço tem
sido colhido ao longo de diversos séculos para utilização
agrícola, no enriquecimento e condicionamento de terrenos arenosos.(...)
As áreas cobertas pelo moliço, são de elevada importância biológica: constituem abrigo para juvenis de espécies piscícolas; são uma fonte importante de produção primária e servem como acumuladoras de energia e nutrientes. Além disso, a vegetação submersa estabiliza os sedimentos do fundo, retira energia às correntes de maré e diminui a turbidez da água. Actualmente a recolha do moliço, cinge-se a uma actividade esporádica."